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segunda-feira, 10 de abril de 2017
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Proposta da nova base curricular antecipa alfabetização para 2º ano
O ministro da Educação, Mendonça Filho, entregou, nesta quinta-feira (6), a proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Na versão final da proposta, o processo de alfabetização, que atualmente é feito até o 3º ano do ensino fundamental, deverá ser antecipado para o 2º ano do ensino fundamental, quando as crianças geralmente têm 7 anos.
A definição antecipa o que está previsto em lei. O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que todas as crianças sejam alfabetizadas até o 3º ano do ensino fundamental, até 2024. Um total de 77,8% das crianças, até 2014, tinha aprendizado adequado em leitura dentro desse prazo; 65,5%, em escrita; e, 42,9% em matemática.
"[A antecipação] gera mais equidade, principalmente para famílias mais pobres. Famílias de classe média conseguem ter a criança alfabetizada em idade inferior à média das escolas públicas. A medida fixada na BNCC está assegurando o mesmo direito para as crianças que estudam em escolas públicas", disse o ministro da Educação, Mendonça Filho.
Mais mudanças
Exercitar a empatia, o diálogo, a cooperação e o respeito deverá fazer parte do cotidiano das escolas. Além disso, os estudantes deverão acolher e valorizar a diversidade. Estas são algumas competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O texto define, ainda, dez competências gerais, que deverão ser desenvolvidas em todas as disciplinas ao longo da vida escolar do estudante. Entre essas competências, está a necessidade das escolas serem capazes de fazer os estudantes se conhecerem, apreciar-se e cuidar da sua saúde física e mental, reconhecendo suas emoções e dos outros. O objetivo é atingir a chamada formação humana integral.
Ainda na nova proposta, o ensino religioso não fará mais parte do currículo. O MEC alega respeitar a lei que determina que a disciplina seja optativa e sua regulamentação ser de competência de estados e municípios.
O conteúdo de história passa a ser organizado segundo a cronologia dos fatos e o inglês passa a ser o idioma obrigatório. Numa versão anterior do BNCC, as redes de ensino escolhiam a língua estrangeira que seria ministrada.
As escolas não trabalharão o conceito de gênero. De acordo com o Ministério da Educação, o texto defende a pluralidade inclusive do ponto de vista do gênero, de raça, de sexo.
Prazo para implementação
As escolas terão dois anos para a implementação dos currículos. Estados, municípios e o Distrito Federal manterão sua autonomia, o que significa que poderão acrescentar conteúdos e competências.
A previsão é de que o Conselho Nacional conclua a avaliação do documento até o segundo semestre deste ano. Uma vez aprovada, a BNCC será homologada pelo Ministério da Educação e terá suas diretrizes gerais seguidas por todas as escolas.
O ministro garantiu apoio a estados e professores para a implementação das novas diretrizes.“O MEC assegurará todo o apoio técnico, do ponto de vista de suporte, para que os estados e municípios possam avançar na definição dos currículos, que obedecerão justamente às normas e diretrizes gerais consagradas na BNCC”, disse. “O apoio à formação de professores também está garantido.”
Base Nacional Curricular
A Base Nacional Comum Curricular estabelece conteúdos e competências que todo estudante deve saber e ser capaz de fazer na educação básica, e será referência obrigatória na elaboração dos currículos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil.
O documento apresentado trata exclusivamente da educação infantil (creche e pré-escola) e do ensino fundamental (1º ao 9º ano). Segundo o ministro, a Base referente ao ensino médio será entregue até o final de 2017, já adaptada às diretrizes do Novo Ensino Médio.
Além de dar visibilidade a conteúdos essenciais, a Base determina o que os alunos devem saber a cada ano de escolarização. Desse modo, ajudará professores e escolas a organizarem a progressão das aprendizagens em todo o território nacional.
Fonte: Agência Brasil
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Enem: Notas serão divulgadas nesta quarta-feira
Nesta quarta-feira serão divulgadas as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um dia antes do que estava previsto inicialmente. O boletim individual do candidato poderá ser acessado através do site do Enem. Nele serão elencadas as notas das cinco provas: Redação; Matemática e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Quem prestou o exame como “treineiro” deve esperar mais 60 dias para acessar o resultado.
O exame
Em 2016, foram mais de 9,2 milhões de inscritos, 9,42% a mais que em 2015. No entanto, apenas 8,3 milhões realizaram o exame. O gabarito desta edição está disponível no site do Enem.
As notas podem ser usadas para ingressar no ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), no ensino superior privado pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Consulta Pública
Na quarta-feira será também lançada uma consulta pública para debater as eventuais mudanças do Enem. A intenção do ministério é adequar o Enem à reforma do ensino médio, em discussão no Congresso Nacional. Uma das possibilidades é que treineiros (estudantes que ainda não concluíram o ensino médio e fazem a prova só para testar seus conhecimentos) sejam proibidos de fazer o exame – para eles passaria a ser aplicado um simulado, sempre no mês de julho. Outra, é de que a obtenção de certificação do ensino médio não seja mais possível através do exame.
Enem no vestibular
As instituições públicas que adotam o Sisu para o preenchimento de vagas em cursos de graduação terão, a partir deste ano, mais flexibilidade na utilização das notas do Enem. Agora, cada instituição pode ampliar as opções de peso e de notas mínimas estabelecidas. Ou seja, elas podem exigir dos candidatos, para cada curso e turno ofertado, uma média mínima referente a todas as provas do Enem ou continuar a indicar uma nota mínima para cada uma das provas. Uma terceira opção é um combinado entre essas duas possibilidades, ao usar a nota mínima por prova e também a média obtida com a soma dessas notas.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Enem 2016 será adiado para 191,4 mil participantes
O Inep informou nesta terça-feira que 191.494 dos 8,7 milhões de inscritos para o Enem não poderão fazer a avaliação no próximo fim de semana, em razão de 304 ocupações em colégios listados como locais de provas.
As provas adiadas serão realizadas nos dias 3 e 4 de dezembro, segundo o Inep.
A divulgação das notas do Enem 2016 estava prevista e foi mantida para 19 de janeiro. Segundo o Inep, não houve alteração nessa data e, por isso, não vai haver interferência no cronograma das instituições que usam o Enem como processo seletivo.
As 304 ocupações correspondem a 1,9% dos 16.476 locais de provas previstos, e estão distribuídas em 126 municípios de 19 estados e no Distrito Federal. A lista inclui 177 escolas de educação básica e 127 instituições de ensino superior.
Os dois estados com mais ocupações são: Paraná, com 74 locais ocupados e 41.168 alunos afetados, e Minas Gerais, com 59 locais e 42.671 alunos prejudicados. Não há ocupações em locais de provas de Acre, Amazonas, Amapá, Ceará, Rondônia, Roraima, São Paulo.
As ocupações em diversos estados são motivadas pela rejeição à medida provisória que trata da reforma do ensino médio e também contra a PEC do teto de gastos públicos.
Inicialmente, as provas deveriam ser realizadas em 16.476 locais de 1.727 municípios.
Em 19 de outubro, o ministro da Educação, Mendonça Filho, disse que havia 181 escolas do país ocupadas que poderiam comprometer a realização do Enem para cerca de 95 mil alunos participantes.
À época, Mendonça Filho havia dito que, caso as provas precisassem se reaplicadas posteriormente, os custos da aplicação (cerca de R$ 90 por aluno) serão cobrados judicialmente de alunos e entidades que sejam identificados como responsáveis pelas ocupações.
O MEC chegou a enviar um ofício dando o prazo de cinco dias para que eles identifiquem e encaminhem ao governo federal os nomes de manifestantes que ocupam campi dos institutos federais pelo país. A prática foi contestada pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.
Nova data do exame
A presidente do Inep, Maria Inês Fini, diz que os alunos afetados começarão a receber os avisos nesta noite. Segundo ela, todos receberão um SMS avisando sobre o adiamento e nova data. Entretanto, o novo local ainda não será informado neste primeiro contato.
Maria Inês lembra que nos presídios a prova será realizada nos dias 13 e 14 de dezembro. Segundo ela, os alunos afetados pelas ocupações não poderão fazer nesta data porque é um dia de semana, e a operação logística não se aplicaria.
Ela diz que o tempo extra que os estudantes afetados terão até a prova não devem afetar a preparação e dar alguma vantagem a eles - pelo contrário, ela acredita que eles precisarão administrar a ansiedade.
Equivalência entre as provas
O Inep afirmou que a nova prova do Enem já foi elaborada e não vai afetar o equilíbrio entre os participantes, pois descarta a possibilidade de uma prova ser mais "difícil" que a outra. "A prova é equivalente", afirma Maria InÇes
A base dessa argumentação é a chamada de Teoria de Resposta ao Item, ou TRI, que é a metodologia usada na correção.
O Inep "calibra" todas as questões do Enem antes de elaborar as provas em eventos conhecidos como pré-teste, quando as questões são aplicadas a centenas de alunos e o resultado indica seu grau de dificuldade a partir da porcentagem de acertos. Quanto menos alunos acertarem a questão, mais difícil ela é.
Assim, o exame se torna "comparável". Isso quer dizer que é possível comparar notas de candidatos de uma edição do Enem com as notas de outras edições, porque o nível de todas as edições é similar. Além disso, o valor que o participante recebe em cada acerto é definido segundo o perfil de erros e acertos do aluno em toda a prova.
A presidente do Inep disse que ainda não há uma uma estimativa exata para o custo do adiamento.
De acordo com o Inep, em média a prova custa R$ 90 por candidatos. Entretanto, uma projeção aponta que o instituto teria um custo estimado de 30%, já que seria possível economizar com despesas que não serão feitas, como monitores, segurança e etc.
Segundo o MEC, até a manhã desta terça 6.404.506 participantes tinha acessado o cartão de confirmação. O número equivale a 74,23% dos inscritos confirmados. O documento traz, entre outros dados, o local onde o participante deve fazer a prova. O cartão pela Página do Participante (http://enem.inep.gov.br/participante/) ou pelo aplicativo Enem 2016.
Participantes que tiverem dúvidas sobre a prova podem acionar a Central de Atendimento do Inep pelo telefone 0800-616161. O atendimento por telefone tem funcionamento diário, entre 8h e 20h. O órgão indica que, antes de procurar o atendimento telefônico, o participante verifique se a questão não está já esclarecida no site do Enem: enem.inep.gov.br.
Em ambos os dias da prova, 5 e 6 de novembro, os portões de acesso serão abertos às 12h e fechados às 13h, seguindo sempre o horário de Brasília.
Após o fechamento dos portões, os participantes deverão aguardar em sala de provas até que seja autorizado o seu início, às 13h30min, após procedimentos de verificação de segurança.
Considerando o horário local de cada estado, bem como horário de verão adotado em boa parte do país, os portões serão fechados às 10h no Acre; às 11h no Amazonas, Rondônia e Roraima; e às 12h no Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.
No Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, alguns dos estados que aderiram ao horário de verão, os portões serão fechados às 13h. No primeiro dia de prova, os participantes terão 4h30 para responder o exame. No segundo, que conta com elaboração de redação, 5h30.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Adolescente morre em escola ocupada no Paraná
Um adolescente foi encontrado morto na Escola Estadual Santa Felicidade, em Curitiba(PR). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná.
A escola é uma das 800 que foram ocupadas nos últimos dias no estado contra a reforma do ensino médio e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos ao governo federal pelos próximos 20 anos.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, o adolescente tinha 16 anos e era aluno da escola. Ele teria sido encontrado morto por volta das 16h.
De acordo com o Estadão Conteúdo, o Corpo de Bombeiros afirmou que o estudante tinha cortes de faca no abdômen e na altura da clavícula, com indícios de suicídio. As motivações para o óbito, no entanto, ainda estão sendo investigadas pela polícia, que está dando prioridade ao caso, segundo informações da assessoria de imprensa do órgão.
Em nota publicada na página Ocupa Paraná, os líderes da série de ocupações afirmam que, até o momento, “não há nenhuma informação concreta sobre a motivação dessa morte”. Segundo eles, os advogados do movimento estão proibidos de entrar no local.
Em nota, o governador do Paraná, Beto Richa, lamenta a morte do estudante. “É ainda mais gravíssimo e lamentável, porque aconteceu no interior de uma escola ocupada, que deveria estar cumprindo a sua missão de irradiar a luz do conhecimento e a formação da cidadania”, escreveu. “A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto”.
Onda de ocupações
Segundo a União Nacional dos Estudantes, nesta segunda-feira, cerca de 73 campi de universidades pelo país e mil escolas estaduais e institutos federais estariam ocupados contra a PEC 241, que será votada em segundo turno nesta terça-feira.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
MEC publica portaria que institui tempo integral em 572 escolas do ensino médio
O Ministério da Educação publicou na edição de hoje do Diário Oficial da União a portaria que institui o programa de fomento e implementação do tempo integral no ensino médio das escolas públicas.
O ministério prevê implantar o programa em até 572 escolas públicas. Serão 257.400 vagas a serem divididas entre os estados e o Distrito Federal, de acordo com a população.
A criação do Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral foi anunciada pelo governo no dia 22 de setembro, quando foi assinada a Medida Provisória 746/2016, que reestrutura e flexibiliza o ensino médio no país.
O governo federal irá repassar recursos para os entes federados que forem selecionados para participar. A adesão dos estados e do Distrito Federal ao programa será formalizada por meio da assinatura de um termo de compromisso e elaboração de um plano de implementação. Cada edição do programa terá duração de 48 meses, para a implantação, acompanhamento e mensuração de resultados.
De acordo com a portaria, nos planos de implementação apresentados pelas secretarias de educação, a carga horária curricular deve ser de, no mínimo, 2.250 minutos semanais, com um mínimo de 300 minutos semanais de língua portuguesa, 300 de matemática e 500 dedicados a atividades da parte flexível. A portaria define que, após a publicação da Base Nacional Comum Curricular, as propostas curriculares deverão ser adequadas no prazo de um ano, considerando a reforma do ensino médio.Cada secretaria estadual de educação poderá aderir ao programa atendendo ao número mínimo de 2.800 alunos. O número máximo para cada estado está detalhado na portaria. O limite máximo de escolas participantes é de 30 por estado. Em entrevista no dia 30 de setembro, o secretário do MEC, Rosseli Soares, disse que o ministério vai repassar aos estados R$ 2 mil ao ano por aluno da educação integral pelo período de quatro anos.
Uma vez selecionadas, as escolas participantes serão submetidas a avaliações de desempenho para se manterem no programa.
Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024, 50% dos matriculados cumprirão jornada escolar em tempo integral de, no mínimo, sete horas por dia. De acordo com o Ministério da Educação, a pasta investirá R$ 1,5 bilhão para ofertar o ensino integral a 500 mil jovens até 2018.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
MP do ensino médio flexibiliza disciplina e exclui Artes, Educação Física e Espanhol
A Medida Provisória que altera o ensino médio no País, apresentada nesta quinta-feira, 22, pelo governo do presidente Michel Temer(PMDB), vai acabar com a obrigatoriedade das aulas de Artes e Educação Física, incentivar a criação de escolas de tempo integral - inclusive com repasses de recursos federais aos Estados - a e formação "integral" do aluno e ampliação "progressiva" de 800 para 1.400 horas anuais.
A MP também prevê que os currículos devem, obrigatoriamente, conter o ensino da Língua Inglesa e "poderão ofertar outras línguas estrangeiras, em caráter optativo", mas a lei que obrigava a oferta de ensino do Espanhol foi revogada.
O ensino médio também deverá contar com projetos já existentes hoje em escolas de tempo integral, como o projeto de vida, em que o estudante pode escolher disciplinas eletivas que mais se aproximem de seus objetivos. Também estão previstos trabalhos voltados à formação "nos aspectos cognitivos e socioemocionais". Os ensinos de Língua Portuguesa e Matemática continuam obrigatórios nos três anos da etapa.
A MP também prevê que o ensino médio será organizado por módulos e adotará o sistema de créditos ou disciplinas com terminalidade específica, para estimular o prosseguimento dos alunos.
Financiamento. O governo federal divulgou ainda que, para fomentar a construção de escolas em tempo integral, haverá uma política de transferência de recursos, que será realizada pelo prazo máximo de quatro anos por escola. A transferência ocorrerá anualmente, a partir de valor único por aluno, "respeitada a disponibilidade orçamentária para atendimento".
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
MEC suspende novo sistema de avaliação da educação básica
O pente-fino que o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou que faria nas portarias e resoluções da gestão anterior – a do PT – chegou ao programa que avalia a educação básica em todas as escolas do País, públicas ou privadas. A portaria que ampliava o sistema e instituía a participação da sociedade civil nas avaliações foi suspensa, motivando nota de repúdio da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que reúne organizações e associações ligadas ao tema.
A justificativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável por aplicar exames de avaliação como o Enem e a Prova Brasil, toma por base a lógica de que “não se mexe em time que está ganhando”. “Para que criar outro sistema se já temos um extremamente consolidado?”, questiona a professora Maria Inês Fini, presidente do instituto.
A portaria previa que o Sistema de Avaliação de Educação Básica (Saeb) fosse rebatizado de Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb), mas as mudanças não estavam restritas ao nome. Segundo o texto, na hora de radiografar a escola o Sinaeb levaria em conta não só o desempenho dos alunos em Português e Matemática.
Também seriam analisados a formação do professor na área em que leciona (no ensino médio, 74% dos docentes vivem esse descompasso), os indicadores socioeconômicos do entorno do colégio e a evolução dos estudantes durante a vida escolar. “Transformaríamos a fotografia em um filme”, compara o ex-ministro de Dilma, Aloizio Mercadante, lamentando a extinção da portaria. A criação do Sinaeb está prevista na lei que institui o Plano Nacional de Educação (PNE).
Maria Inês Fini nega que a revogação tenha a ver com contingenciamento na pasta. “Não há por que ampliar, não tem nenhum requisito de avaliação que esteja faltando no atual sistema”, prossegue a presidente. Sobre a participação da sociedade civil em reuniões ordinárias para aconselhar, acompanhar e supervisionar o Sinaeb – algo que a portaria anulada também menciona – ela também considera que não há necessidade. “Nosso sistema já é reconhecido internacionalmente e o Inep dá conta de fazer a gestão.”
Extinção. Na carta da Campanha Nacional, as organizações dizem que a revogação “reforça” a tese de que o novo governo quer “extinguir as ações e programas, em vez de analisá-los e fortalecê-los”.
A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) são algumas das entidades que assinam o documento.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Quase 40% dos professores no Brasil não têm formação adequada
Nas escolas públicas do Brasil , 200.816 professores dão aulas em disciplinas nas quais não são formados, isso equivale a 38,7% do total de 518.313 professores na rede. Os dados estão no Censo Escolar de 2015 e foram divulgados hoje pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante.
Em alguns casos, um mesmo professor dá aula em mais de uma disciplina para a qual não tem formação, com isso, o número daqueles que dão aula com formação inadequada sobre para 374.829, o que equivale a 52,8% do total de 709.546 posições ocupadas por professores.
Na outra ponta, 334.717 mil posições, 47,2%, são ocupadas por docentes com a formação ideal, ou seja, com licenciatura ou bacharelado com complementação pedagógica na mesma disciplina que lecionam. Mais 90.204 (12,7%) posições são ocupadas por professores que não têm sequer formação superior.
Disciplinas
O ministro Aloizio Mercadante disse que o MEC tomará medidas para melhorar a formação dos professores.
A maior lacuna está em física. Do total de 27.886 professores que lecionam física, 19.161 não tem licenciatura na disciplina, o que equivale a 68,7% do total. A formação de novos professores, de acordo com Mercadante, não acompanha a demanda, de 1,8 mil por ano. Seriam necessários, então, 11 anos para que todos os professores de física tivessem a formação adequada.
"A gente forma muito pouca gente em física por ano e é muito difícil reverter isso porque o professor que está lá para motivar o aluno não é formado, não tem licenciatura e dá aula improvisada para preencher carga horária sem formação específica", diz Mercadante.
A falta de formação adequada atinge também duas disciplinas chave para formação dos estudantes, matemática e português. Em matemática, 73.251 do total de 142.749 não tem a formação específica para lecionar a disciplina, ou seja, 51,3%. Em língua portuguesa, do total de 161.568 professores em exercício, 67.886 não têm licenciatura em português, o equivalente a 42%.
Português e matemática são as disciplinas cobradas em avaliações nacionais como a Prova Brasil e internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), e são usadas para medir a qualidade da educação. "Matemática e português são as duas pernas para o estudante caminhar na educação. Sem essas duas ferramentas não tem como prosseguir", diz Mercadante.
Biologia tem os melhores índices, 78,4% dos professores têm a formação adequada. Em química, são 53,7%; em ciências, 40,1%; em história, 39,9%; e em geografia, 37,7% professores são formados na área em que atuam. Os demais ou são formados em outras áreas, afins ou não, ou não têm formação superior.
O MEC anunciou que tomará medidas para melhorar a formação dos professores. Entre elas, a oferta de 105 mil vagas para formação de professores no segundo semestre deste ano. Serão 20 mil vagas em universidades federais e 4 mil vagas em institutos federais. Além disso, a Universidade Aberta do Brasil vai ofertar 81 mil vagas de formação à distância.
"Nenhum professor efetivo, que está em sala de aula, deixará de ter a formação. Se faltar, vamos procurar instituições privadas", diz Mercadante. "Se quisermos ter qualidade na educação, temos que melhorar a formação do professor".
Aqueles que já têm alguma formação em área afim a que leciona poderá aproveitar os conhecimentos em um curso de licenciatura, tendo a carga horária reduzida. A experiência em sala de aula, também contará para reduzir o tempo de estágio obrigatório. A reconfiguração das licenciaturas está prevista em parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovado no ano passado.
O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, destinado a complementar a formação dos professores também será reconfigurado no ano que vem. O professor só poderá se inscrever para o curso correspondente à disciplina que leciona. O curso será oferecido apenas nas férias escolares para que os professores se dediquem mais.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Portal do Sisu está no ar; candidatos já podem consultar vagas disponíveis
Os candidatos a entrar no ensino superior público já podem consultar as vagas disponíveis no portal do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A consulta pode ser feita por instituição, por cidade ou por curso no site do Sisu.
Na primeira edição deste ano, o Sisu vai oferecer 228 mil vagas em 131 instituições públicas de educação superior. As inscrições poderão ser feitas do dia 11 ao dia 14 deste mês.
O candidato pode se inscrever no processo seletivo em até duas opções de vaga e deve especificá-las, em ordem de preferência, em instituição de ensino superior participante, local de oferta, curso e turno. O sistema indicará as notas de corte para cada curso ao estudante, que poderá alterar as opções de curso de acordo com a nota.Para participar da seleção, o estudante precisa ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 e obtido nota acima de 0 na prova de redação.
O resultado da chamada regular será divulgado no próximo dia 18. Os candidatos selecionados farão a matrícula nos dias 22, 25 e 26 deste mês. Aqueles que não forem selecionados terão a opção de manifestar interesse em participar da lista de espera, no período de 18 a 29 do mesmo mês.
Por meio do Sisu, os estudantes participantes do Enem concorrem a vagas de ensino superior em instituições públicas. As notas do Enem serão divulgadas no dia 8 deste mês, segundo informou o Ministério da Educação. Participaram do Enem no ano passado 5,7 milhões de candidatos.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Nota do Enem sai na sexta, dia 8!
As primeiras semanas de 2016 definem o futuro de milhões estudantes no Brasil: as notas do Enem 2015 serão divulgadas na próxima sexta-feira, dia 8 de janeiro. Na semana seguinte, os estudantes poderão usar as notas obtidas no Exame Nacional para fazer inscrição para as vagas em universidades públicas oferecidas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
O sistema começa a funcionar na segunda-feira, dia 11 de janeiro, e o prazo vai até 23h59 do dia 14 de janeiro.O estudante pode se inscrever em até duas opções de vaga. O resultado da chamada regular será divulgado no dia 18 de janeiro na página do Sisu e nas instituições de ensino superior. As matrículas ocorrem nos dias 22, 25 e 26 de janeiro. Assim como na edição anterior, só haverá uma chamada.
Entre os dias 18 de janeiro e 29 de janeiro os candidatos que não foram convocados para sua primeira opção podem manifestar interesse em aderir a lista de espera. Caso sobrem vagas, as instituições poderão convocar os alunos da lista.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Manifestação de estudantes em São Paulo termina com confronto com a PM
Estudantes de escolas públicas fizeram na manhã desta quinta-feira (15) um protesto por vias da capital paulista contra a reestruturação da rede de ensino estadual que o governo paulista pretende implantar já a partir do início de 2016. Com a mudança, cada unidade escolar passaria a receber apenas alunos de um dos ciclos da educação. Mais de 1 milhão de alunos precisariam ser transferidos com a medida. Ao final da manifestação, no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, houve tumulto.
Após uma passeata que começou no Largo da Batata, em Pinheiros, os alunos seguiam reunidos em frente à portaria 2 do Palácio, na Avenida Morumbi, quando alguns mascarados começaram a balançar e chutar os portões.- Às 8h, protesto começou no Largo da Batata com faixas e cartazes para criticar a gestão do governador Geraldo Alckmin.
- Às 10h, estudantes saíram em caminhada e fecharam a Avenida Faria Lima.
- Às 10h30, interditaram pista da Marginal Pinheiros.
- Às 11, Marginal Pinheiros foi liberada.
- Às 12h15, manifestantes chegam ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.
- Às 13h, mascarados jogam pedras e rojões contra a sede do palácio. Policiais Militares revidaram com bombas de gás lacrimogêneo.
- Às 13h30, protesto é encerrado sem feridos e sem prisões.
- Às 10h, estudantes saíram em caminhada e fecharam a Avenida Faria Lima.
- Às 10h30, interditaram pista da Marginal Pinheiros.
- Às 11, Marginal Pinheiros foi liberada.
- Às 12h15, manifestantes chegam ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.
- Às 13h, mascarados jogam pedras e rojões contra a sede do palácio. Policiais Militares revidaram com bombas de gás lacrimogêneo.
- Às 13h30, protesto é encerrado sem feridos e sem prisões.
Pedras, garrafas e até uma lixeira foram atiradas contra policiais militares que se posicionavam dentro da sede do governo para acompanhar a manifestação. Um dos mascarados chegou a escalar o muro do Palácio.
Os mascarados usaram um grande pedaço de madeira para tentar arrombar o portão. As luminárias instaladas na parede externa da sede foram arrancadas e destruídas. A PM respondeu com bombas de gás. Pelo menos seis bombas foram atiradas contra os mascarados que acabaram se dispersando e fugindo do local.
Na fuga, pela Avenida Padre Lebret, os mascarados atiraram pedras contra um carro da PM que passava pelo local. O para-brisas foi atingido por três vezes e acabou destruído.
O Capitão Alan, que comanda o policiamento na área, afirmou que, até as 13h45, não havia sido informado sobre alguma prisão ou atendimento a feridos.
Em nota, o governo estadual afirmou que "A Casa Militar, responsável pela segurança do Palácio dos Bandeirantes, está calculando os danos causados pela ação truculenta de vândalos infiltrados na manifestação.
Segundo ele, a insatisfação dos alunos é uma prova de que a mudança só vai piorar a educação no estado. "Vão fechar escolas e é inevitável que aumentem o número de alunos por sala de aula. É justamente o contrário que precisamos pra melhorar o ensino. Mais escolas e diminuir a quantidade de alunos por sala", explicou.
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