quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Anistia Internacional critica retórica de ódio de Trump


O presidente americano, Donald Trump, põe em prática uma "retórica do ódio", dando as costas a refugiados e imigrantes, transformados em bodes expiatórios, denuncia a Anistia Internacional (AI) em seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo.
No informe, a organização internacional chamou a atenção para um cenário no Brasil marcado por altas taxas de homicídio, violência policial e risco de perda de direitos para algumas minorias desde a posse do governo Temer, em 2016.
No mundo, a AI destacou que no ano passado, "o uso cínico" da retórica do ódio adquiriu proeminência global em uma escala nunca vista desde a década de 1930.
Além de Trump, a Anistia criticou o presidente filipino, Rodrigo Duterte, o turco Recep Tayyip Erdogan e o premiê húngaro, Viktor Orban, que "têm uma agenda tóxica que persegue, transforma em bodes expiatórios e desumaniza grupos inteiros de pessoas".
Donald Trump, segundo a organização, foi eleito presidente dos Estados Unidos em novembro "após uma campanha que causou consternação por seu discurso discriminatório, misógino e xenófobo", que "ilustra a tendência global mais violenta e divisiva de fazer política". 

"As decisões que está tomando, seja na construção de um muro na fronteira com o México ou na aceleração das expulsões de imigrantes ilegais, terão repercussões sobre milhões de pessoas", alertou Geneviève Garrigos, encarregada da AI para as Américas.
O secretário-geral da AI, Salil Shetty, advertiu, ainda, contra o "risco de efeito dominó", quando países poderosos, como os Estados Unidos, "retrocedem em seus compromissos com os direitos humanos".
Diante deste cenário, a Anistia conclamou a mobilização de todos. "O ano de 2017 será de resistência", disse Shetty à AFP. "Nossas esperanças estão no povo".

Expulsões e repressões

Em seu informe, que abrange 159 países, a Anistia alertou para a inquietante situação dos refugiados centro-americanos que fogem da violência implacável em seus países e são frequentemente esquecidos. 

Em 2016, estas pessoas foram vítimas de expulsões de México e Estados Unidos, apesar dos assoladores indícios de que muitos voltavam a situações de perigo mortal, destacou a AI.
A encarregada da Anistia para a região das Américas denunciou, ainda, a detenção de migrantes, inclusive de menores não acompanhados, nos meses passados na fronteira sul dos Estados Unidos, muitos deles sem acesso adequado a atendimento médico, nem à assistência de um advogado.
"Nos preocupa que esta situação se agrave com a grande quantidade de migrantes cubanos que foram ao Equador para depois tentar chegar aos Estados Unidos ou de haitianos que estão bloqueados na fronteira mexicana, sem nenhum recurso, em condições muito difíceis", acrescentou Garrigos.
A AI também alertou para a grave situação dos presos políticos na Venezuela e a determinação do governo em reprimir a dissidência, assim como a situação dos defensores de direitos humanos em Brasil e Colômbia, que continuam sofrendo ameaças de morte.



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