Uma assembleia realizada nesta quarta-feira dia 10 entre produtores rurais em Bebedouro (SP) resultou na definição de uma nova diretoria para a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar , investigada por um esquema de pagamento de propina a servidores públicos, deputados e intermediários que gerou fraude em licitações da merenda escolar em pelo menos 22 cidades paulistas.
Com duração de duas horas, a reunião durante a manhã, em um barracão da empresa, definiu a saída do então presidente Carlos Alberto Santana da Silva, um dos seis suspeitos detidos na Operação Alba Branca, deflagrada em 19 de janeiro
Além dele, são citados nas investigações o ex-presidente Cássio Chebabi, o diretor Carlos Luciano Lopes e os funcionários Adriano Gilberto Mauro, Caio Pereira Chaves e César Bertolino. Todos foram soltos após um acordo de delação com o Ministério Público.
O novo presidente da Coaf, Nilson Fernandes, confirmou que a redefinição da diretoria visa proteger os produtores rurais, sem envolvimento algum, segundo ele, com as fraudes.
"A gente entende de plantar, de entregar isso na cooperativa, a gente não entende da comercialização. Falando como produtor, a gente para no campo e entrega na cooperativa. Daí pra frente você entende que existe uma organização para comercializar. Da propina em si o produtor não faz parte, não tem conhecimento dela, o produtor sabe que a mão calejada que tem é de plantar", disse.
"A diretoria já se colocou à disposição dos funcionários para, no dia seguinte, na parte da manhã, estar atendendo a essa solicitação dessa reunião pra gente poder entender o norte, dar um futuro a esses funcionários que vão ficar e aos que vão se colocar à disposição para se retirar", afirmou.Ele também citou que a empresa começará a analisar caso a caso, a partir desta quinta-feira (11), pedidos de demissão voluntária de funcionários. Segundo o dirigente, desde que a Operação Alba Branca foi deflagrada, os colaboradores ficaram desorientados em relação ao futuro da cooperativa.
Novo foco
Fernandes disse que quer replanejar, em conjunto com os produtores, as atividades da Coaf com o intuito de resgatar o que ele define como a essência do cooperativismo, desgastada pelas recentes denúncias.
Fernandes disse que quer replanejar, em conjunto com os produtores, as atividades da Coaf com o intuito de resgatar o que ele define como a essência do cooperativismo, desgastada pelas recentes denúncias.
"A realidade no campo é totalmente diferente do que a gente encontra nas cidades. Haja vista que o pequeno produtor é o que fornece alimento. É muito difícil você encontrar um grande produtor que planta alimento. É o pequeno. A gente tem que valorizar isso, é isso que a gente tem que resgatar, não virar as costas nesse momento. (...) Você não encontra um homem de roça envolvido nessas questões todas, a gente tem que olhar para isso", afirmou.
De acordo com o presidente, uma das mudanças é relacionada ao foco de comercialização dos produtos agrícolas, que deve ser mais direcionado a partir de agora para a iniciativa privada.
A intenção da Coaf em garantir a manutenção do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II, convênio estadual que visa a construção de uma unidade de processamento de legumes e frutas na cidade.
O contrato assinado entre a Coaf e o governo paulista é de R$ 1,266 milhão, sendo R$ 800 mil destinados pelo Estado e R$ 466 mil como contrapartida da Cooperativa. A Coaf recebeu ao menos R$ 392,8 mil, mas a obra às margens da Rodovia Armando de Sales Oliveira (SP-322)não foi concluída.
A Prefeitura, que doou o terreno com 10 mil metros quadrados, informou que pediria a devolução da área.

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